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domingo, 17 de abril de 2011

Jornal - Diário de São Paulo – 09/02/11

Jornal - Diário de São Paulo – 09/02/11


PERDEU, DOM PEDRO!

Não sobrou uma espada de bronze da comitiva do imperador

Não sobrou uma espada de bronze da comitiva de Dom Pedro I, representada no Monumento da Independência. Por causa da ação de vândalos, a sugestão em estudo é substituir as dez peças por similares de madeira e plástico. O monumento será recuperado ainda este ano.




Bem-vestida sobre imponentes cavalos, a comitiva de Dom Pedro I ergue espadas de madeira. Podia ser mais uma das anedotas do episódio histórico às margens do Riacho Ipiranga, ao lado do imperador descabelado, acompanhado por um batalhão maltrapilho e montado no lombo de mulas. 


Mas, diante do furto sistemático das espadas no Monumento da Independência, a sugestão é real e pretende substituir dez peças de bronze roubadas e quebradas por similares feitas de plástico ou madeira. 



A última reposição das espadas foi feita em 2008, e segundo a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), responsável pelo monumento, é impossível precisar quando as peças foram levadas da última vez.



De brinquedo/ A Escola Paulista de Restauro, responsável pela recuperação na qual foram investidos cerca de R$ 1 milhão da iniciativa privada, é quem propõe a substituição das antigas espadas de bronze feitas de materias mais baratos. 



"Hoje o valor para a recuperação seria maior. O projeto para restauração poderia repor (as espadas) com madeira ou plástico. O bronze vale mais e (quem roubou) trocou por um prato de comida e pedras de crack", afirmou o coordenador da instituição, Francisco Zorzete.



A secretaria não confirma a substistuição do material das espadas. Apenas informa que "o projeto de restauro do monumento ainda está em fase de elaboração". E afirma que o término da obra está marcado para até o fim do ano. 



O estudante Wagner Gomes, 25 anos, que visitou o monumento esta semana, concorda com a troca por espadas de brinquedo. "As peças fazem falta e substituir por outras de valor comercial menor desestimularia o roubo", afirmou pontuando, no entanto, que mesmo após a troca a segurança deve ser reforçada. "Já levaram até a bandeira em 2007". 



Para o taxista Heitor Coletto, 63 anos, e que há 25 trabalha no bairro, o patrimônio deveria ser mais protegido e não ter a composição rebaixada. "É um patrimônio do país. O correto seria substituir as peças originais e oferecer mais segurança", afirmou. A posição é dividida pelo casal Rimário santana Rocha, 33, e Luana Lins, 23, que visitavam o Parque da  Independência. "Acho que falta educação e segurança", reforçou Rimário. 

Desarmados: no Monumento da Independência, o batalhão que acompanha Dom Pedro I ergue os punhos vazios. Ação de vândalos, os furtos ocorrem desde 2008, quando foram repostas


Prefeitura não revela gasto em manutenção de monumentos
Inaugurado em 1922 e instalado no Parque da Independência, o monumento criado pelo artista italiano Ettore Ximenes não é cercado e apresenta sinais de falta de manutenção, além da ausência das espadas de bronze de cerca de 70 centímetros.


Um dos cavalos da representação, que mostra Dom Pedro I anunciando a independência do país, parece não parar de fazer xixi, por causa de uma infiltração. A peça é tombado por órgãos de proteção do município, estado e União. O valor sobre quanto o município gasta na manutenção do monumento não foi informado pelas secretarias de Cultura, de Serviços e do Verde e Meio Ambiente - todas procuradas pelo DIÁRIO.  A Secretaria de Cultura não possui um levantamento sobre o quanto é gasto com atos de vandalismo na recuperação do patrimônio público.


Sobre a falta de segurança no parque, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente informou que sete vigilantes durante o dia e seis à noite são responsáveis pela área - de 161.300 m2, o equivalente a 15 campos de futebol.


Segundo a assessoria de comunicação do orgão, a segurança dos equipamentos instalados no parque cabe à USP (responsável pelo Museu Paulista) e à Secretaria Municipal de Cultura (Casa do Grito e Monumento da Independência).


Erguido às margens do Riacho do Ipiranga, o parque recebe diariamente cerca de 2 mil visitantes, de segunda à sexta-feira. No fim de semana, o número é cinco vezes maior. Na parte alta do monumento estão instaladas quatro câmeras, que, no entanto, não registram a escultura depredada, representando a comitiva imperial.


Abaixo do monumento, uma galeria subterrânea abriga os restos mortais de Dom Pedro I, da Imperatriz Leopoldina e D. Amélia, segunda mulher do imperador.


Parque foi construído em local histórico
O Parque Independência é um marco histórico nacional. Na Colina do Ipiranga, junto ao Riacho do Ipiranga, Dom Pedro I declarou o país independente de Portugal em 1822.


40 
adolescentes foram capacitados como agentes históricos


Adolescentes dão aula sobre patrimônio
Para explicar a importância do patrimônio histórico e tentar evitar a ação de vândalos,  40 adolescentes da comunidade Guacuri foram transformados em agentes históricos no Parque da Independência. Eles passaram por um treinamento de mais de 200 horas aulas sobre história de Brasil, do Estado de São Paulo, da cidade de São Paulo, assim como aprenderam sobre o Museu Paulista, Casa do Grito, Monumento da Independência. Até o dia 15 de março, os agentes atuam de segunda à sexta-feira das 10h às 12h e das 14h às 17h e podem ser encontrados em uma tenda, próximo ao Museu Paulista. O projeto é uma parceria do Museu a Céu Aberto, com o apoio da AES Eletropaulo.

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